MEC: Programas de inclusão digital estão entre os maiores do mundo

dom, 04/04/2010 - 12:36 | Luciana Abade e Jornal do Brasil


inclusaodigital.jpgBRASÍLIA - Desde 1997, o Ministério da Educação compra, distribui e instala laboratórios de informática nas escolas públicas de educação básica por meio do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo). Segundo o secretário de Educação à Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, este é um dos maiores programas do mundo de inclusão digital de alunos das escolas públicas.

– Os programas são voltados para trazer a inclusão digital. Precisamos criar uma cultura digital. Temos 30 mil laboratórios sendo distribuídos – afirmou o secretário, que reconhece a necessidade de levar a inovação para a sala de aula com o intuito de fazer os alunos ficarem mais atento aos conteúdos.

Segundo Bielschwsky, uma pesquisa realizada pelo MEC mostrou que as escolas que estão conectadas têm rendimento 10% maior que as demais.

– Na visão do ministro (Fernando Haddad) isso ocorre porque os estudantes brasileiros têm dificuldade de leitura e uma vez conectado o aluno é obrigado a ler.

O secretário estima que desde 2007 até o final deste ano cerca de R$ 1 bilhão será gasto com programas de informatização das escolas. Incluindo aí a instalação de laboratórios, a capacitação de professores e também o programa Um Computador Por Aluno, que prevê o uso de laptop pelos alunos dentro de sala de aula e não apenas o uso de laboratórios em horários específicos. Atualmente, 23 universidades trabalham na especialização de professores para esse fim.

Problema atual é a formação do professor

A expansão dos programas de inclusão digital nas escolas públicas brasileiras é inegável. Mas os computadores que chegam às salas de aula são muita vezes subutilizados porque falta preparo dos professores para ensinar os alunos a utilizarem as máquinas para o aprendizado pedagógico.

– O uso dos laboratórios não está articulado ao processo pedagógico em pelo menos metade das escolas públicas do país – afirma Elizabete Ramos, da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação. – Falta professores habilitados e ainda há escolas em que o computador chega, mas fica na secretaria ou na sala do diretor.

Elizabete acredita que a informática pode ser um aliada da escola para tornar a aula mais interessante para o aluno. Fora do contexto, contudo, acredita que a escola pode servir apenas “como uma lan house”.

A afirmação da pedagoga foi constatada em recente pesquisa realizada pela Fundação Roberto Civita em parceria com o Ibope Inteligência. Depois de ouvir representantes em 400 escolas nas cinco regiões do país, os pesquisadores constataram que a falta de computadores não é mais um grande problema, uma vez que 98% das escolas pesquisadas tinham computador.

O maior gargalo agora é a falta de formação dos professores para que eles saibam utilizar a tecnologia com foco na aprendizagem dos conteúdos: 70% dos entrevistados declararam que a formação inicial não os preparou suficientemente para o trabalho com as tecnologias de comunicação. Enquanto apenas 14% dos entrevistados possuem formação específica para uso de tecnologias na Educação.

Assim como mostrou a Aneel no levantamento sobre a banda larga nas escolas, a pesquisa da Fundação também constatou que as diferenças regionais nas questões de tecnologia são consideráveis. A média de computadores quebrados, por exemplo, é proporcionalmente maior nas escolas pesquisadas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Nessas regiões, para cada 13 computadores, há três computadores quebrados. Já para cada 23 computadores no Sul e Sudeste há quatro computadores quebrados, embora em São Paulo essa proporção seja menor.

– A formação do professor carece de muita melhoria e as diferenças regionais precisam diminuir. Onde mais precisa de computador, como na Região Norte e na Região Nordeste, é onde menos tem – lamena a diretora da Fundação Roberto Civita, Ângela Dannemann.

O senador Cristovam Buarque (PDT- DF), que foi ministro da Educação, não concorda que o único problema seja a falta de capacitação dos professores. Segundo ele, ainda está longe o dia que em que haverá um computador por aluno, como deseja a Presidência da República.

– Em pelo menos 20 mil escolas não têm luz elétrica, como vai ter computador? O professor não tem treinamento porque não tem salário que justifique. A escola não mudou nada nos últimos 20 anos e a cabeça das crianças mudou muito. Os meninos já nascem sob efeitos especiais – exagera o ex-ministro.

Para o senador, a informatização universal só acontecerá quando a educação de base for federalizada. Caso contrário, nunca haverá dinheiro suficiente nos estados e municípios.

Fonte: Jornal do Brasil - 18:31 - 03/04/2010

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Um comentário:

  1. Uhuul eu vo i la comeer pastel!! e ver os talentos da escola.... *-*

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